19 Janeiro 2012

Metade carimbada.


Eu me orgulho de tantas coisas sobre mim que beiro a prepotência - que é, para mim, um dos sentimentos mais feios de todos. Eu sei que conquistei muitas coisas com esforço próprio, mas não conquistei muitas coisas por culpa minha. Não por falta de aprendizado, porque eu tive muitas chances. Eu rodei em tantas ocasiões que o calejar deveria se transformar em cartilha, livro motivacional de prateleira de livraria - mas não. Eu insisto, persisto.
Existe, entretanto, o meio copo: metade cheio, metade vazio. Consigo perceber que nem tudo está errado. Eu nasci assim, sou aflorado, gosto de dizer: "sim, te amo"; "sim, quero estar com você"; "sim, sinto sua falta", mesmo sendo politicamente incorreto - ou conjugalmente.  Para mim, "o que é demais nunca é o bastante". A vontade em assumir todos e completos sentimentos me torna chato, piegas, irritante e qualquer sinônimo que remeta à repetição desenfreada  que conjugue o verbo querer.
Agora, aqui, com o bloco de notas aberto, estou deslizando os dedos pela tecla justamente para não responder o meu próprio e-mail, minha própria mensagem, não parecer grudento. Não tenho tino para virar as costas e ir embora sem arriscar a palavra, saber se houve uma desistência real, de verdade. Simplesmente, volto para ser carimbado novamente.
Volta.

2 comentários:

Rodrigo Alonso disse...

somos dois.

Ser em construção disse...

Bem-vindo ao club!
Só pra constar.
inté...

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