Estou
pensando na beleza do papel, excluindo da cabeça todo o pensamento sustentável;
criando a imagem de alguém que, de fato, importaria e se gabaria em ser o
destinatário. As letras iriam atingir o mais alto índice de autonomia e se
agrupariam de tal maneira a apresentar assim:
O fim de novembro se aproxima, tal como
dezembro se prepara para a apresentação. Ainda moro em São Paulo. A paixão
janeira pelo Rio de Janeiro não foi suficiente para tirar o crédito da
fumaça-trânsito-amor-inexistente. Minha cidade é filha da putamente deliciosa.
No mais, gosto da vida que ando levando. Diminuindo a diversidade social
noturna e valorizando os storyboards no fim de semana. Isso torna tudo mais
colorido se comparado ao meu novembro passado, quando a injustiça corporativa
tirou de mim o que eu mais queria. Pois bem, estou muito melhor do que estaria:
pleno e com plena certeza.
Ontem revi minhas melhores amigas. Faltaram
algumas, mas a maioria estava lá. Poderia ser triste, mas é compensador ver que
durante os anos juntos, elas foram as únicas que permaneceram. No meu jogo de
xadrez, os alpinistas, fashionistas, imigrantes e de caráter intrigantes
caíram, levando consigo suas premissas de vida. Tenho me sentindo à vontade com
amigos do trabalho também. A cerveja da sexta-feira se tornou um ritual gostoso
de participar, com pessoas que eu passei a admirar. Amizade não é estepe, mas
tenho sentido que faz bem variar, rir de piadas diferentes, compreender dramas
reais.
Ontem eu investi. Hoje eu desisti. Amanhã
nunca se sabe, mas presumo que estarei disposto novamente, assim como estive
nos últimos tempos com o casado, com o almofadinha, com o roteirista de
comédia, com o filósofo, com escritor, com o marombado, com o
filhinho-da-mamãe, com o hipócrita arquiteto hospitalar, com o fulano, cicrano
e beltrano. De tão pequenos, pareciam poucos separadamente, mas agrupados
mostram o quanto eu me entreguei por nada. Como se tivesse sido diferente em
2010, em 2009...
Com um livro do Caio Fernando Abreu aberto
(“Cartas”), que é praticamente o meu “Gotas da Sabedoria”, veio-me à cabeça a
melhor e mais verdadeira autossugestão dos últimos tempos: “Não se perca. Não
se esqueça. Viver bem é a melhor vingança”.
Well of course I'd like to sit around and chat
But someone's listening in
2 comentários:
dá pra sentir um revigor!! c=
Este livro é incrível, assim como esta frase. Belas palavras.
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