27 Novembro 2011

Sem destinatário.


Estou pensando na beleza do papel, excluindo da cabeça todo o pensamento sustentável; criando a imagem de alguém que, de fato, importaria e se gabaria em ser o destinatário. As letras iriam atingir o mais alto índice de autonomia e se agrupariam de tal maneira a apresentar assim:

O fim de novembro se aproxima, tal como dezembro se prepara para a apresentação. Ainda moro em São Paulo. A paixão janeira pelo Rio de Janeiro não foi suficiente para tirar o crédito da fumaça-trânsito-amor-inexistente. Minha cidade é filha da putamente deliciosa. No mais, gosto da vida que ando levando. Diminuindo a diversidade social noturna e valorizando os storyboards no fim de semana. Isso torna tudo mais colorido se comparado ao meu novembro passado, quando a injustiça corporativa tirou de mim o que eu mais queria. Pois bem, estou muito melhor do que estaria: pleno e com plena certeza.
Ontem revi minhas melhores amigas. Faltaram algumas, mas a maioria estava lá. Poderia ser triste, mas é compensador ver que durante os anos juntos, elas foram as únicas que permaneceram. No meu jogo de xadrez, os alpinistas, fashionistas, imigrantes e de caráter intrigantes caíram, levando consigo suas premissas de vida. Tenho me sentindo à vontade com amigos do trabalho também. A cerveja da sexta-feira se tornou um ritual gostoso de participar, com pessoas que eu passei a admirar. Amizade não é estepe, mas tenho sentido que faz bem variar, rir de piadas diferentes, compreender dramas reais.
Ontem eu investi. Hoje eu desisti. Amanhã nunca se sabe, mas presumo que estarei disposto novamente, assim como estive nos últimos tempos com o casado, com o almofadinha, com o roteirista de comédia, com o filósofo, com escritor, com o marombado, com o filhinho-da-mamãe, com o hipócrita arquiteto hospitalar, com o fulano, cicrano e beltrano. De tão pequenos, pareciam poucos separadamente, mas agrupados mostram o quanto eu me entreguei por nada. Como se tivesse sido diferente em 2010, em 2009...
Com um livro do Caio Fernando Abreu aberto (“Cartas”), que é praticamente o meu “Gotas da Sabedoria”, veio-me à cabeça a melhor e mais verdadeira autossugestão dos últimos tempos: “Não se perca. Não se esqueça. Viver bem é a melhor vingança”.


Well of course I'd like to sit around and chat
But someone's listening in

2 comentários:

Leonardo Felizardo disse...

dá pra sentir um revigor!! c=

Danilo Rowlin disse...

Este livro é incrível, assim como esta frase. Belas palavras.

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