Eu nunca vou entender as pessoas. Omissas, inseguras. E eu, por também ser pessoa, talvez ainda muito pior do que as que eu corriqueiramente aponto, tento compreender se tenho par com as coisas que me rodeiam neste mundo.
Hoje me falaram sobre paixão. Começou com olhares, terminou em namoro – mas entre estes períodos, há frestas. Vejo, cada vez mais, que os relacionamentos estão tomando um rumo empreendedor, quase um vínculo empregatício. É quase aquele momento em que, desempregado, a pessoa passa a enviar currículos para uma série de empresas. No fim, espera a com maior ordenado se manifestar para aceitar a proposta. Namoros são assim também. Os solteiros nutrem o maior número de corações que conseguem e, por mais que já estejam praticamente entrelaçados a alguém, omitem tudo, de todos, até firmar, finalmente, uma relação.
É duro afirmar e consentir este tipo de atitude quando, em algum dia da minha adolescência, eu cheguei a defender um sentimento – e igualdade, respeito, tolerância, união. A vida – ou, resumidamente, os últimos cinco anos dela –, me mostrou a fria realidade da glande que habita o sistema cardiovascular de algumas pessoas.
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