Observo a folha branca, pronta para ser rabiscada. Quem tem um plano de fundo assim, acha que poderia ter um pouquinho de paz. Não há tormenta, porém – somente perguntas sem respostas. Uma delas se manifestou agora há pouco, sem mais, nem menos.
Trata-se do leite, aquele que já deveria ter coalhado e posto para fora com os outros sacos de lixo. Não sinto que deveria, entretanto, ressuscitar coisas passadas, mas a vontade de se mostrar mais autêntico e maduro transforma a situação em algo muito constrangedor. Não consigo me portar de forma fiel, com meu sorriso torto, bocarra aberta, pálpebras metricamente desiguais, olhos alternantes entre o castanho e o verde. Poderia revelar à medida que este me revela, mas não. Insisto em assuntos enterrados, porque a boca e a pá trabalham no mesmo ritmo, ao mesmo tempo.
Aquele riso, percebido por amigas – parte delas – como um problema dentário, tornou-se um dilema. Difícil esquecer um detalhe que eu nunca liguei, frente a outras coisas que me entrelaçavam, como a voz, o sotaque, o toque, o riso, a presença. Este sou eu, pouco inocente, enaltecendo não-qualidades sobre alguém que nunca tirou a aliança para se entregar.
Toda vez eu penso que estou muito bem resolvido. Quando caminho e meu pensamento percorre vias já transitadas, sinto como se aquele chiclete já tivesse sido tirado do sapato – mas vó, infelizmente, nem com água quente.
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Este texto contradiz este post.
No matter how it ends
No matter how it starts
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