Agora são quatro e quinze da manhã, início de uma quarta-feira. O horário é indiferente, mas gosto de expressar coisas que poderei reler depois. A vontade de escrever, que vem em momentos inesperados, surgiu quando uma pessoa me lembrou outra, que me lembrou outra, que me lembrou outra e que me despertou uma curiosidade danada sobre outra. Pois bem, este é o atual namorado dele.
Não estou apaixonado por ninguém, mas tenho manias incontroláveis, como relembrar momentos de dor com pessoas que não souberam retribuir meus sentimentos. Quando tenho estes acessos, vem uma vontade de retomar todo o passado e tentar reescrever a história, mas mudei – ao que parece, amadureci. Será?
Neste exato momento, estou olhando para a tela do meu computador, oscilando entre a página do Word e o perfil no Facebook do atual namorado dele. Mais velho do que eu, cabelos ralos, olhos claros, tatuagens e um amigo em comum. Parece ser amado pelos amigos, que fazem ode à amizade com o tal. De pensar que quando soube da existência dele, tive de ouvir o seguinte: “Me sentia só aqui, nesta cidade, mas ele apareceu” – enquanto eu, paulistano convicto, moro nesta cidade desde o meu primeiro dia de vida.
O fato de não estar apaixonado, entretanto, não muda este sentimento em ser rejeitado. Posso estar vazio quanto à paixão, mas pouco compreendo quando me pergunto: “Por que não eu?”. Sem resposta, fico por aqui, remoído de ciúme de alguém a qual não tenho direito deste sentimento.
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