08 Março 2011

Florescer.

Hoje é o meu aniversário. Parido em um dia de comemoração às mulheres, divido esta data com metade do mundo. Tenho problemas com exclusividades. Claro que todo mundo faz aniversário em dia de alguma coisa: do carteiro, do médico, do professor. Porém, a separação por gênero transforma a data em algo muito mais segmentado.

Eu, particularmente, não gosto muito de fazer aniversário. Antes era um simples receio de ser caçoado no colégio, pela data em questão. Nasci no dia da piada pronta. Hoje, tal status se dá pelo fato de que não sei corresponder às felicitações e, muitas vezes, acreditar que por mais que as pessoas se esforcem para desejar o melhor, as coisas dificilmente acontecem.

Por baixo desta carcaça existe um sistema viário de idas e vindas, parando em estações obscuras, de melancolia, rancor, ódio, orgulho. Já não vejo razão em ser e, por isso, fico preso nos anseios do pretérito. Qual missão ainda está por vir? Suportar pessoas que não sabem lidar com seres humanos de verdade? Sou dos que assume cada pontinha, cada friozinho, cada estalo que se manifesta em mim. Não consigo entender como as pessoas conseguem se alimentar desses acessos de verdade, do ato em assumir o “eu te amo”.

Vinte e dois anos, mas o mesmo coitado de vinte e um, vinte, dezenove, dezoito. Coitado, não por vítima, mas por sobreviver a um mundaréu de nocautes da vida e não perceber que sobrevida nem sempre é lucro – o melhor é permanecer deitado, esperando os outros levantarem primeiro.

1 comentários:

patriciale disse...

Também não gosto de fazer aniversário, nem de natal, e de ano novo e dessas datas 'marcadas'. Me dá um desespero tão grande pensar nas coisas não realizadas... mas é preciso acreditar, Ro. Esse ano as coisas serão melhores,eu acredito! Te amo, parabens!

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