A alma me assiste. Como se a ceifassem do meu corpo, fica frente a frente com a carcaça. Enxergam-se. Encaram-se. Ninguém melhor do que nós mesmos para conhecer quem realmente somos, o que realmente sentimos – por esta razão, por não conseguir me olhar por dentro, sint0-me puxando a alma para fora, numa junção da primeira com a terceira pessoa, intercalando conjugações.
No momento, sob a suprassensação, vejo que por vezes desperdiço meus ais em troca de uma piscadela, um aceno, um sussurro. Não é medo de ficar sozinho; é vontade de mostrar que até os mais curtos compromissos merecem respeito, consideração e doses não cronometradas de afeição. Por isso sou um narrador de mim mesmo: por dentro e por fora, não consigo recusar cada letra que passa pelos canais já esquecidos que estudei em Fonética. As palavras saem, pois minha fidelidade é tão real que abrange os fios condutores dos meus sentimentos – sejam eles breves ou em longa escala.
A quilometragem poderia ter inflado a vontade das variações entre murmurar e berrar cada sopro que vinha dentro de mim. Não aconteceu. Nutriu-se a felicidade do desapego, mas todo despretensioso tem uma pontinha de esperança.
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