27 Fevereiro 2011

Paixão alvinegra.

Eu não sei de onde vem esta paixão, mas é forte. Intensa, transforma qualquer contraponto em uma ofensa, uma vontade de retrucar de mãos fechadas – mas não é preciso. Quem é, quem vive, sabe muito bem que fazer parte deste grupo é motivo de orgulho, seja nas horas ruins, seja nas horas boas.

Ainda lembro, nitidamente, do primeiro grito, das primeiras canções cantadas no centro-oeste paulistano. O verde era artificial, assim como é o arqui-inimigo. Um corre-corre e meus olhos atentos à vontade levantar da cadeira, do degrau de concreto que ainda não colocava meus pés no chão. Criança coroada com uma vitória e, bem como se diz, a primeira vez a gente nunca esquece. Nunca mesmo.

Já tentei ser indiferente. Desligar a televisão e fingir não saber o que se passava. Evitar o sofrimento. Porém, quando se trata de uma nação, não existe forma de ser livre da paixão: gritos, fogos, uma centena de sinais, uns mais atrasados que os outros, noticiando o que nem sempre é motivo de felicidade. Por tal felicidade, inclusive, já fiz promessa, já ajoelhei e rezei, cortei o primeiro pedaço do bolo e pedi por ele – não muito, eu sei.

O que vem de dentro é uma sensação de qualquer apaixonado. Com a nação e comigo, porém, é diferente, pois “voa bem alto o meu pensamento – eu sou Corinthians, eu sou Corinthians, ninguém vai nos separar”.

1 comentários:

Barbara B. disse...

PERFEITO. o terceiro parágrafo resumiu minha vida :~ é ir além de ser ou não ser o primeiro.

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