Esses dias, lá pelo comecinho da noite, em meio a um mundaréu de gente, eu fiquei pensando no real sentido de viver. O que me faz feliz nesta vida? O que me dá prazer em fazer? Daí pensei que poderia acabar com aquilo em questão de segundos e ganharia – talvez – algumas lágrimas, menções, memórias.
Agora, por motivos desconhecidos, caí em uma carta de suicídio: Leila Lopes. Atriz, modelo e apresentadora – assim como uma gama de mulheres bem estruturadas fisicamente que vira e mexe aparecem na televisão. Nunca dei importância para nada relacionado a ela, mas a carta me tocou muito. Muito mais que uma despedida, eu li um ode à vida. O que me percorre, neste exato momento, é a dúvida, a incerteza em saber se vou me alimentar da vida até que ela própria se encarregue de racionar minha existência. Tenho medo de sofrer. Tenho medo de me ver enrugado, grisalho, caído, dependente, ganhando um salário furreca do governo, entre outras características do panorama da terceira idade brasileira.
Leila dizia que estava cansada da vida, de pagar contas – e completa, mais ou menos assim: “eu sei, todo mundo vive, mas eu não consigo mais”. Hoje, próximo aos meus vinte e dois anos – e com um péssimo histórico para idades pares –, não tenho disposição para me deslocar em distâncias pífias, muito menos paciência para ouvir algum assunto inteiro sem que olhe para o lado e tente achar algo aparentemente mais interessante.
A vida tem sido insossa, mas nem sempre o saleiro precisa vir da mão alheia: de uma forma ou de outra, a gente consegue se auto-extrair.
1 comentários:
Temos direito a nos matar? ou não?
Porque viver? O que me motiva?
E os outros?
Questões que nos fazemos com esse texto. E elas tem respostas concretas?
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