Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida – disse Clarice. Eu disse sim e, num súbito, recebia o bafo do calor intenso da cidade do Rio de Janeiro.
Sempre tentei compreender a paixão dos poetas, bem como o primor de suas respectivas obras, quando se tratava da cidade maravilhosa, cheia de encantos mil. Cinco dias que foram suficientes para que os batimentos do meu coração entrassem no ritmo de escola de samba (metáfora super cabível neste caso). O bairrismo dos moradores da Tijuca, a beleza da vista do mirante do Leblon, a intensidade sócio-humana dos banhistas em Ipanema, o calor da música – numa mistura incompreensível de sentidos – na boate na Zona Portuária e o vaivém de pessoas no calçadão em Copacabana. Por todos os olhares atentos à novidade, peguei-me chateado: a despedida.
É difícil compreender como o apego é inesperado – às pessoas, às partes que compõem o urbano, às atitudes afetuosas. Observei bem algumas coisas, fixei-me nos detalhes, para que tudo ficasse meticulosamente guardado na memória: o ladrinho do prédio em Ipanema com quadradinhos verde-musgo e preto, além de paredes brancas e ásperas, contemplando a cadeira do porteiro ausente; a imagem da minha reprovação refletida na mente ao ver que a conversa entre amigos era muito mais do que isso; o balançar do microfone ao agradecer a hospitalidade carioca e os fluxos de sotaque.
Hoje é dia vinte e cinco de janeiro e eu, paulistano, escrevo sobre o Rio de Janeiro no dia do aniversário da minha cidade – aquela a qual foi tema da minha monografia final da faculdade e que me proporcionou, com louvor, três de três notas dez. O vento que entra pela janela do prédio na Tijuca mostra o frescor do ar que amei ter respirado nestes últimos dias. A vontade de ficar é intensa e me remete à fala escutada na madrugada de ontem, que me fez pensar em uma série de escolhas: “Assim como o mar, eu”.
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