01 Janeiro 2011

Minutos atrás.

Em meados de 1995, aos seis anos de idade, o final de capítulo de "A Próxima Vítima" era o antônimo do despertador para crianças em casa: a hora de dormir. Vez em quando, porém, a regra se dissipava da mente dos meus superiores e minha alegria em olhar o relógio do vídeo cassete marcando onze horas, meia-noite, transformava-se em um sorriso de vitória. Porém, após tais deslizes de horário, percebi que as coisas não mudavam depois que eu ia dormir – pelo contrário.

A nostalgia do parágrafo anterior serviu para ilustrar a mesma sensação, quase 16 anos depois, de que algumas horas se passaram do dia 31 de dezembro para o dia 1ª de janeiro. Assim como varei madrugadas assistindo Vale Tudo no [canal] Viva e mal percebia que as horas passavam, o mesmo aconteceu na virada do ano. Estive entre amigos, bebendo e comendo: quantas vezes eu já não fiz este ritual?

Todos aparecem com novas promessas de vida e empreitadas. Na verdade, sinto uma ponta de inveja destes que conseguem ver a passagem do ano como um evento de renovação, pois eu, na mais alta escala de sinceridade, sinto-me tão igual e conflituoso como no ano passado – que foi ontem, algumas horas atrás, em um dia qualquer em 2010.

2 comentários:

Teodoro disse...

Devo dizer que me assustei um pouco ao ler que faz 16 anos que "A Próxima Vítima" foi veiculada pela primeira vez.

Isso significa que desde então são 16 viradas de ano. De certo modo, compadeço com sua causa, aquela de sentir um "boa inveja" daqueles que entendem essa passagem de um ano para outro como um evento que pertine mudanças, aspirações e assim por diante. Talvez nem tanto pela virada em si. Talvez nem tanto pelo fato de fomentar planos e alimentar um espírito "novo" baseando-me em uma data. No caso, minha "boa inveja" para os que usam a virada como um marco se direcione mais para aqueles que fecham os olhos, sonham, planejam e trabalham verdadeiramente para que possa dizer daqui uns anos que ali, a partir daquela virada, a coisa de fato virou. E para isso, são, sei lá, uns 5844 dias em que podia ser dada a largada para uma série de mudanças. Todo esse conjunto de dias para trabalhar em função de um anseio.

Luis Felipe Lauletta disse...

Eu era um pouco mais velho, mas o sentimento ao acabar a próxima vítima era o mesmo...

Parabéns pelos textos

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