Quase 22 anos, um canudo embaixo do braço e expectativas profissionais. Assim começou 2011 e, certo dos meus anseios, quero um namorado.
Eu quero um namorado que não seja apático e que não seja conhecido – que não use redes sociais, para eu não sentir ciúme dos retweets de charme que poderão jogar para ele; quero que tenha idade suficiente para entender a minha fragilidade, mas que não me diga que a minha coreografia pareça algum desenho animado da década de 1970; que seja independente, mas não ao ponto de me deixar falando com a secretária eletrônica, ouvindo sua voz em uma mensagem gravada, cuja sonoridade pareça infiel ao doce do tom; que seja romântico no ponto certo, pois não lido bem com muitos mimos, ao tempo que não me desespere com silêncios constrangedores e oxítonas delirantes; que ame minhas amigas, chame-as pelos respectivos apelidos, que seja requisitado nos meus telefonemas – “Leva Fulano, estamos com saudade dele” –, que não seja anunciado pelo porteiro, que traga rosas a minha avó e tome uma cerveja com o meu avô (aceitando a condição de parecermos apenas bons amigos frente às idéias arcaicas deste senhor); que me veja vencer e me faça ler em seus olhos os brilhos do orgulho em estar em meus braços; que grite comigo, que brigue feio, que encha a mão no meu rosto, que me xingue e que fale coisas jamais ditas a alguém – mas, em um súbito, volte com seu calor e um punhado de gelo em um pano de prato.
Querer, para mim, é querer demais – e custa muito, um tanto assim.
3 comentários:
Aposto um dólar que, se você encontrar tudo isso, vai desejar coisas diferentes. Você, querido Roberto Motta, é fascinante, amável e doce, mas é um eterno insatisfeito. Freud, sim, explica.
Excelente texto, texto de quem olha para dentro de si, e consegue enxergar o que realmente se passa, esquecendo dos anseios, desejos e vaidades, tirando de cima de si o véu da hipocrisia e abrindo seu coração desmonstrando o desejo sincero de ser feliz que é inerente àcondição humana.
Se Maslow e Freud já falaram sobre a eterna insatisfação humana, quem sou eu pra discordar?
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