14 Janeiro 2011

Fundo de armário.

Não me chame de lindo.

Culpe a si mesmo quando as coisas derem erradas e não venha dizer que o poder das minhas palavras é responsável por seus tropeços. Seja maduro para assumir que os seus problemas pessoais de nada têm a ver com o meu apetite ao meio-dia – garfos e facas são apenas talheres, não alianças. Resolva suas pendências emocionais que foram revertidas no papel: adjetivos não se justificam quando se tem um pé ali, um pé aqui. Dê valor aos cuspes que lubrificaram a abertura do sentimento, mesmo que na horizontal. Veja de forma bonita a passada perda da inocência a qual você foi responsável. Utilize os meios para metaforizar a vida real, pois desconheço a atitude em ficar parado, mudo, frente a alguém. Diga, de uma vez por todas, que o eco pretérito te incomoda e que eu sou verbo irregular no futuro. Mantenha-se imparcial quando a libido não fizer jus ao caráter. Marque datas reais, pois a semana que vem virou sinônimo de algo muito mais posterior. Seja real como pessoa – você se esconde demais neste anti-tupiniquim. Assuma-se com menos freqüência, pois sua rotatividade é irritante e um só já foi o suficiente para esperar.

A mim, cujo direcionamento do imperativo é polissêmico, a figura do amante passageiro dificilmente dar-se-á em algum resultado positivo. Pise em falso, faça valer a afirmativa, mas, por favor: não me chame de lindo.

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