É tão difícil esconder a cafonice de dizer o quanto estimo a presença de alguém. O corpo estremece, a voz falha, titubeio e, no fim, dobro os segundos entre um piscar e outro, como se o olhar tentasse reinterpretar cada palavra não dita. Mas não tenho traquejo e a minha cabeça gira, gira, gira, gira, gira, gira e, assim como a sensação leitora da repetição, entorto o pescoço e estendo os braços para abraçar o ar, que faz bem e é de graça.
Tenho me pegado com as mãos aéreas demais. Falta alguém para se entrelaçar a ela. Porém, mais do que isso, provar consistência, armazenar quantidades absurdas e inimagináveis de sentimento, compreensão e respeito. Mãos oleosas para relacionamentos, escrevi há três anos no perfil deste blog e, curiosamente, mantive o discurso: não mudou absolutamente nada.
Falta alguém para partilhar alegrias, na vertical; na horizontal.
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