Eterno, assim como outras palavras, é um verbete que deveria ser demarcado como mentira nos dicionários ou como sinônimo de irreal. Até pouco tempo atrás, eu poderia dar nome aos meus dedos e dizer que cada mão era um grupo. Porém, a sinonímia, bem como a metáfora aplicada, virou um passado recente. Hoje meus dedos não têm mais tantas carinhas desenhadas com caneta esferográfica, posso contá-los com mais rapidez. O que sobrou foram lembranças de quão conveniente era rir e dizer "te amo" como se fosse "bom dia".
De repente, as vontades se tornaram obrigação – o que é sempre chato. Quem concorda, por comodidade ou falso companheirismo, logo se torna a mais valiosa amizade de todos os tempos, sem se lembrar, no entanto, que já tenha participado da rodinha de chacotas. De Desta forma, todos são imaculados, oh, nenhuma palavra que discorde, sorrisos e uma boa trilha sonora de música ruim. Na outra mão, por sua vez, reclamações que deram lugar a um bom colchão para dormir em um bairro nobre. O dedo que antes deletava o baú de futilidade agora aperta a campainha. Se caráter fosse comida, talvez eu não tivesse tempo para redigir um texto – certamente já estaria desmaiado.
Vendo de uma forma otimista, penso que é mais fácil evitar a fadiga e viver a vida como se nada tivesse acontecido. Vou arrancar algumas fotos do mural (que é uma metáfora, pois eu não tenho um mural). Se, por ventura, alguém questionar sobre as fotos que sumiram, apenas direi: nunca estiveram aí.
1 comentários:
Ambos deveriam assumir os erros e simplesmente deixá-los passar. Ao invés de tirar as fotos no mural, colocar um band-aid, esperar cicatrizar e colocar mais fotos, como um momento ruim que fortaleceu ainda mais. :)
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