Avenida Paulista. Um povoado de yuppies divide espaço com centenas de jovens de diversos estilos a caminho da Rua Augusta. Uma menina de dezoito anos e alguns quebrados, vestido preto curto e cabelos soltos subordinados ao vento, caminha pela grande avenida numa extrema sensualidade nos passos.
Um homem, cara de menino, vinte e poucos anos fita-a com precisão. Ele deseja saciar aquele corpo, seus olhos brilham. Ela vira numa rua qualquer, ele a segue. Puxa seu braço, olha em seus olhos e diz: “Fenomenal!” e num súbito, ela responde: “Eu não cobro. Quer agora?”.
Ele, atônito com a resposta da menina, insiste em levá-la para jantar, alegando um bom papo, ser uma boa pessoa. Ela, ao contrário, ignora qualquer tipo de aproximação que não seja referente à aniquilação do prazer que cutuca entre suas pernas. Os dois travam uma incessante discussão, ela cede.
De repente, a menina se vê perdida nas palavras dele. Ela o quer. Quer casar, sair em revistas de grávidas, ver os filhos correndo pela casa perguntando pelo pai que só chega à noite. Entretanto, já era tarde demais. Ele, entre uma palavra e outra, acariciava as pernas da menina, que se contorcia na cadeira.
Ele foi embora, provendo um novo encontro. Algumas semanas mais tarde, lá estava ela, cabelos presos, gola alta, saia comprida, meia calça preta e sapato fechado. Ele olhava e não reconhecia. A beleza era a mesma, mas havia tanta falsidade naquela menina que não era possível imaginá-la como uma promissora mãe de seus filhos.
Foram para casa dele e beberam copos e mais copos de vinho. Ele propôs que fossem dormir e assim fizeram. Ela despiu-se, deitou na cama e logo suas mãos já acariciavam o membro do menino que delirava com a versatilidade dos movimentos dela. Ele penetrou-a com agressividade e ela pedindo mais. No fim das contas, sua farsa havia acabado. Ela teve o que quis, ele, também.
Quando voltava as oito da manhã para casa, deu os ombros e pensou que, na verdade, todo mundo finge ser alguma coisa quando quer ganhar algo, ou perder, no caso, as vontades horizontais.
1 comentários:
Nossa... porque não tem comentário???
Pelo texto tem certeza que não é... bom. gostei. Só mudaria esse não cobro nada, mesmo quem não cobra, cobra, em carícias...
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