Ela viu cada fio de luz atravessar as paredes quando abriu a porta do quarto escuro em que se encontrava. Estava renovada e sem rancor. Queria amigos e momentos de volta, montar um álbum interno, cheio de bons momentos. Sem paixões, sem traições.
Entretanto, quando se vive num mundo intenso, com um céu cinza, qualquer boa forma de demonstrar, qualquer atitude que não seja monocromática passa a ser recebida de forma afetuosa. E foi aí que ela, mais uma vez, pecou.
Não imaginava, porém, que seria novamente no mesmo lugar e no mesmo erro. Conforme as atitudes dele iam sendo cada vez mais atenciosas, mais ela retribuía. Em menos de uma semana, ela suspirava seu nome por todos os cantos. Era tão recente, mas tão verdadeiro que só poderia ser mentira. E era.
Quando pensou que passaria mais um fim de semana ao seu lado, ele já não estava na mesma forma de ser e assim, trocou-a pelo medo de não se envolver. Ele não queria uma vida a dois e agradar era apenas um artifício para levar para a cama. Coisa que ela já sabia de romances anteriores, mas desta vez, entendeu tarde demais.
Seria um bom motivo para voltar à singularidade, entretanto, levou o tempo necessário para superar e perceber que nem todo homem que abre a porta do carro é para casar. O orgasmo é, sem sombra de dúvidas, o clímax de um relacionamento mal estruturado desde seu início.
Então, que seja e sirva para ter um mínimo de prazer.
“Amar é ser fiel a quem nos trai.”