Os homens, apesar de todos os preceitos, são exigentes quanto às mulheres. Levam qualquer tipo para cama, mas casam-se com as virgens, (aparentemente) submissas e prendadas. As mulheres, porém, devem saber como lidar com toda essa atmosfera
Taís é casada há quatro anos. Aos sábados, acorda antes do marido, prepara o café e organiza as coisas necessárias para o jogo de futebol. Aos domingos, almoça na sogra e sorri amavelmente. Nenhuma gola está amassada, nenhuma roupa está manchada, nenhuma comida está azeda, nenhum beijo está frio.
Quando, por ventura, as vizinhas comentavam que Taís perderia o marido com tanta dedicação, ela sorria. O sorriso da tão prendada esposa era uma resposta para aquelas que mal sabiam que a noite ela era um furacão. Sem roupas de algodão, sem os olhos cansados, sem o cabelo religiosamente preso. Tempo ruim, nem nos dias chuvosos.
Taís e seu marido mantinham uma fiel amizade com seus padrinhos de casamento: Otávio e sua esposa, Carolina. Eles visitavam seus amigos com freqüência, varando madrugadas em risos e em álcool. Porém, o marido de Taís começou a ter problemas com a empresa e dobrou seu serviço, ao tempo que Carolina foi escalada para ministrar a recuperação no colégio.
Para não quebrar as tão corriqueiras visitas, Taís ia sozinha para casa de Otávio, que vinha a ser seu melhor amigo de infância. Passavam o começo da noite juntos, a espera de seus respectivos cônjuges. Bebidas, conversas e nostalgia. A órbita existente naquela sala era tão convidativa que incomodava ambos, mas permaneciam sentados sem movimento algum e sorriam aliviados quando seus parceiros chegavam.
Entretanto, o índice de aprovados no colégio nunca fora tão alto, ao ponto que a empresa nunca dera tantos lucros. Logo, simultaneamente ao desconforto dos amigos de infância, havia o conforto de uma cama de hotel. Carolina contorcia-se, nua, em meio às roupas jogadas pelo chão e olhava fixamente para o homem de quem foi madrinha de casamento.
Passou a mão pelos cabelos, levantou uma das sobrancelhas, passou a língua nos lábios, deixou seu rosto expressivamente sexual e perguntou:
- Eu sou melhor que ela?
- Não... – respondeu.






