19 Janeiro 2012
Metade carimbada.
12 Janeiro 2012
Imã.
I'm exhausted Leave me alone
31 Dezembro 2011
Onzembro
08 Dezembro 2011
Pronto, acabou.
27 Novembro 2011
Sem destinatário.
Well of course I'd like to sit around and chat
But someone's listening in
15 Novembro 2011
Apenas um homem.
31 Outubro 2011
Fora do cubo.
20 Outubro 2011
À terceira potência
25 Setembro 2011
Devoção.
23 Setembro 2011
Trifásico.
28 Agosto 2011
O valor da comanda.
Tem gente que sabe lidar, mas eu não. Consigo transformar a diversão em uma caixa sem furos de respiração, rodeado por insetos, dos mais grotescos e asquerosos. Tão difícil acreditar que o entretenimento vira um aglomerado de pessoas que você, definitivamente, não precisa ver mais. Gente que não faz falta e que, no entrelaço de coisas negativas, cria novos aglomerados, amizades que brotam e murcham a minha felicidade.
Hoje confirmei o revés do que me faz saudável. Olhos famintos por rancor, por mãos que se encostam e, ao mesmo tempo, dilaceram os resquícios do meu bom humor. Como é possível alguém se nutrir da angústia, em meio ao neon, para confirmar o que já é certo? O balançar de corpos que, no compasso da música, trova com a falta de compreensão com a dor que está próxima – na roda ao lado.
Venho traçando um plano de vida que engloba uma série de ações. Quero adquirir um bem e, para isso, tenho tentado poupar os meus trocados. Entretanto, o valor da comanda não é só financeiro quando se percebe que os prejuízos cardíacos são muitos maiores, por observar o lugar de cima.
22 Agosto 2011
Limpeza.
Eu queria tomar banho com esponja de aço, ensaboando a pele suja pela legião de infelizes que um dia a tocaram. Receber do chuveiro, ao invés de água, ácido – queimando qualquer vestígio das mãos sujas que, sob o meu aval, encostaram-se a mim. Gostaria, ainda, que a água do filtro fosse creolina e desinfetasse o gosto dos beijos infestados de falsas promessas e palavras de conveniência.
A vocês – nem todos, mas ainda assim alguns –, que vieram e que cogitaram, a limpeza que me destrói e me renova. A eficácia do enxaguante vital.
16 Agosto 2011
Fenda, fisga, frincha.
Eu nunca vou entender as pessoas. Omissas, inseguras. E eu, por também ser pessoa, talvez ainda muito pior do que as que eu corriqueiramente aponto, tento compreender se tenho par com as coisas que me rodeiam neste mundo.
Hoje me falaram sobre paixão. Começou com olhares, terminou em namoro – mas entre estes períodos, há frestas. Vejo, cada vez mais, que os relacionamentos estão tomando um rumo empreendedor, quase um vínculo empregatício. É quase aquele momento em que, desempregado, a pessoa passa a enviar currículos para uma série de empresas. No fim, espera a com maior ordenado se manifestar para aceitar a proposta. Namoros são assim também. Os solteiros nutrem o maior número de corações que conseguem e, por mais que já estejam praticamente entrelaçados a alguém, omitem tudo, de todos, até firmar, finalmente, uma relação.
É duro afirmar e consentir este tipo de atitude quando, em algum dia da minha adolescência, eu cheguei a defender um sentimento – e igualdade, respeito, tolerância, união. A vida – ou, resumidamente, os últimos cinco anos dela –, me mostrou a fria realidade da glande que habita o sistema cardiovascular de algumas pessoas.
11 Agosto 2011
Existência deserta.
"(...) De resto, se às vezes posso sofrer por não possuir certas coisas que ainda não conheço inteiramente, a verdade é que, descendo-me melhor, logo averiguo isto: Meu Deus, se as tivera, ainda maior seria a minha dor, o meu tédio." (Mário de Sá-Carneiro)
Comecei a semana dopado de uma injeção e me senti flutuando sobre a selva de pedra, até despencar sobre o colchão e acordar no começo da noite, ainda zonzo. Por esses dias, folheei o caderno do convênio médico. Eu, que nunca acreditei em saúde mental, por achar uma grande picaretagem de gente que aproveita da carência alheia, fui passando os dedos pelos terapeutas listados.
Disseram que, vendo pelo lado bom, eu não sou tão lunático, pois reconheço o problema – só não sei como resolvê-lo. Consigo desmontar a felicidade de um sorriso só em pensar na possibilidade daquilo que já aconteceu. Dói, de uma forma gritante, sentir o zunido da conversa que eu estabeleço na cabeça entre as duas partes – o traidor e o traidor -, ambos muito à vontade em se deliciar a si próprios, rindo do meu ciúme negritado.
Não lembro, ao certo, quando me tornei dependente da minha dependência – que acarreta, inclusive, na repetição de atos e palavras; que atrapalha a minha concentração em todos os momentos em que é remetida. Acho degradante falar em direitos, quando, na verdade, não exerço nenhum – nenhum, sobre ninguém. Mas sei que não quero mais do que um egoísmo acatado, sem seguir a regra alheia, somente mantendo a beleza dos meus momentos intacta.
25 Julho 2011
Divã.
O letrado que fazia revisão não soube escrever. O pedagogo que dava aulas não tinha didática. O engenheiro que chefiava uma construtora não sabe somar. O advogado que defendia a ética não tem argumentos. A sambista da agremiação não tem gingado. O produtor de televisão não consegue inovar. O estilista da grife não sabe costurar. O técnico em informática não consegue instalar um software. A bailarina da companhia não abre spaccata. O publicitário da agência tenta descobrir o que é um brainstorm. O economista do banco está com o nome sujo. O administrador de empresas faliu todas as empresas que herdou. O motorista de ônibus pediu ajuda para o passageiro por desconhecer o trajeto. O guia de turismo chamou a Austrália de país europeu. O disque-jóquei descobriu há pouco o que é a capella. O nutricionista almoça todos os dias na rede de fast food. A cantora do concerto não sabe distinguir Dó de Ré. O mágico serrou uma mulher e foi processado pela família da vítima. A telefonista atendeu a ligação falando o nome da empresa concorrente. O desenhista profissional não consegue distinguir um traço de outro. O psicólogo, que estuda, entre outras coisas, a saúde mental das pessoas, pouco sabe como lidar com seres humanos, que têm as sensações mais transparentes do mundo.
Estamos feitos.